Mostrando postagens com marcador MARTÍRIO DE S. JOÃO BAPTISTA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MARTÍRIO DE S. JOÃO BAPTISTA. Mostrar todas as postagens

29 de ago. de 2011

MARTÍRIO DE S. JOÃO BAPTISTA


 João Baptista foi chamado a uma provada e difícil vida. O seu nascimento foi milagroso. O Senhor retirou-o do que enche ordinariamente a existência humana, e enviou-o para a solidão. Vive no deserto, na maior das austeridades, alimentando-se de gafanhotos e de mel silvestre. Vive dependente da vontade divina. Vai ser o Precursor do Redentor.



  É último dos profetas e o maior de todos eles. João, por sua parte, afirma, referindo-se a Jesus: convém que Ele cresça e que eu diminua. Eu não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias. Mas Jesus dirá dele: É mais do que um profeta. Entre os nascidos de mulher não há nenhum maior do que João Baptista. Efectivamente, os profetas disseram: vai chegar o Messias. Mas João diz sem rodeios: eis o Cordeiro de Deus.


 É difícil o destino dos profetas. Ser profeta, diz Guardini, signifi­ca dizer a seu tempo e contra o seu tempo, o que Deus manda dizer. - Não te é lícito ter como esposa a Herodíades, a mulher do teu irmão, grita João a Herodes Antipas. E João paga-o com o cárcere em Maqueronte.


Um dia, João manda mensageiros a Jesus para lhe perguntar: «És tu o que está para vir, ou havemos de esperar por outro? - Jesus responde: «Ide e contai a João o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados». São palavras tiradas de Isaías. E João sabe o que significam. Jesus acrescentou: «E feliz o que não se escandalizar comigo».


É costume dizer-se que João Baptista mandou perguntar, por causa dos seus discípulos, para que Jesus confirmasse o que ele já lhes tinha explicado. Mas poderia ser que João o perguntasse por si mesmo. Na realidade, a vida dos profetas está exposta a toda a espécie de tormentas do espírito.
Não há descrição mais veemente e comovedora do destino e ser de todo o profeta do que a dos capítulos 17-19 do primeiro livro dos Reis, onde se descrevem as desgraças e revezes do profeta Elias, até cair no desespero, debaixo de um arbusto, em total desamparo, pedindo a morte. O mesmo se vê em Ezequiel, Jeremias e em outros profetas.


Por isso podemos imaginar que João mandou interrogar Jesus, por sua própria conta, naquelas horas de terrível abandono. Sente que a morte o ameaça, dependendo do capricho de Herodíades. Não seriam estes os momentos mais sombrios da sua vida? É Ele verdadeiramente o Messias, cujo precursor eu sou - pôde pensar João - que me impõe esta provação?
Neste caso, as palavras de Jesus, «ditoso o que não se escandalizar comigo» , seriam ditas para confortar João, animando-o a aceitar o supremo sacrifício. Os discípulos não entenderiam a mensagem que leva à escuridão do cárcere. Mas João Baptista compreendeu-a.


O seu destino vai cumprir-se bem depressa. Herodíades deseja vê-lo desaparecer. Quando sua filha Salomé cativar os convidados com as suas danças num banquete, o rei promete-lhe cumprir toda a espécie de desejos que lhe apresentar. Salomé vai perguntar à mãe e Herodíades diz-lhe para pedir a cabeça de João Baptista numa bandeja. O rei estremece perante a enormidade de tal crime, mas é fraco e cede. Os carrascos cumprem a sua missão. Mas como é possível, Senhor, que os teus discípulos estejam à mercê dos ímpios? O mistério da Cruz de Jesus está já presente neste martírio. O seu sangue não será inútil.«A cabeça de João Baptista prega melhor na bandeja do que nos ombros».

(Texto e Ilustrações extraídas do Google)